os dias vagabundos da formiga rabina

domingo

Ao espelho

Elefante, eu falo muito de mim, não falo? Umas vezes de verdade, outras a fingir, sabes...mas sinto muito medo destas constantes considerações sobre a minha pessoinha. Mas que queres, pareço que tenho o mundo a andar à roda na minha pequenina cabeça. Olha, rezingão, às vezes parece que tenho uma cabeça tão grande. São tantas as coisas em que penso. Mas a minha cabecinha é pequena, não é? Ah, bom, deixas-me mais descansada, quer dizer, aliviada, por agora. Mas viver neste mundo de cortinas corridas a lamber as feridas diante de um espelho pessimista deixa qualquer formiga tonta. Não achas?

quarta-feira

E as borboletas?

Peço desculpa por esta pergunta idiota, mas têm visto borboletas por aí? A última borboleta que vi foi numa montra de uma loja e servia para decorar um candeeiro. Não há mais borboletas no mundo?
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A que praia os meus passinhos foram dar que só há gaivotas? Gente nem a ver. Formiga só eu. Estou a tornar-me uma formiga isolacionista.

O meu destino

Os bichinhos pequeninos como eu também deviam morrer de morte natural. Mas o pior é que não temos direito a morte própria. Pequenina como sou, estou sujeita aos azares de um fim violento. Pisada, espremida, comida por outro bicho...

segunda-feira

Imaginação

Não quero ter quimeras, expectativas,
não quero ter cuidados, as solicitudes cansam-me
Ser formiga de um carreiro é uma chatice
uma tortura diária, um pecado
E eu quero ir para o Céu quando morrer
Quero por aqui contentar-me com o que é meu
se puder partilhar um pouco
mas nada de abusos elefante rezingão
se bem que compreenda o teu aborrecimento
por viveres sempre em manada

Mais nada, formiga rabina: vamos daí
sentir a vida com a imaginação
que é o melhor que nós temos
que isso do coração e da razão
é para os que não sabem fazer mais nada
a não ser projectarem os seus próprios valores
em pobres de nós criaturas inocentes

sexta-feira

Jogo

- Formiga?! Formiga?! Onde estás?!
- Frio...
- Formiga?! Formiga?!
- Frio...
- ...
- A gelar...
- Desisto. Vou para casa...
- Morno...

domingo

Refúgio

Está vento lá fora. Muito vento. Estou aqui neste cantinho da placa da rua Triste-feia. A descansar de um dia difícil.

terça-feira

Esta vida

Isto de andar num carreiro não é para mim. São muitas obrigações, muitas tarefas. Não tenho feitio. Estou cansada de tentar fugir aos meus problemas. Tenho de ganhar coragem de assumir finalmente o controlo da minha própria vida. Espera aí, elefante! não penses que vou a correr para ti...

quarta-feira

As pazes

Tenho andado a lamentar-me, mas a verdade é que sinto saudades do elefante. Já decidi. Vou ter com ele, fazemos as pazes e salto-lhe para cima das costas. Juntos vamos percorrer o mundo. E que bonito deve ser o mundo visto das costas do meu amigo elefante rezingão.

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